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Servidor público · Processo disciplinar

Servidor comissionado também responde a processo disciplinar

Quem ocupa cargo em comissão pode ser exonerado a qualquer tempo, e daí vem a impressão de que processo disciplinar não se aplica a ele. A lei federal diz outra coisa, e a diferença aparece na ficha funcional e nos concursos seguintes.

Por Ricardo Feistler, mestre em Direito · Atualizado em 22 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Exoneração e destituição são coisas diferentes

A exoneração de cargo em comissão é ato de confiança, não depende de motivo e não constitui punição. A destituição de cargo em comissão é penalidade disciplinar, listada entre as sanções da Lei 8.112/1990 e aplicada depois de processo com contraditório.

O art. 135 da lei federal trata da hipótese: a destituição de cargo em comissão exercida por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão. O parágrafo único vai além e fecha a saída fácil: constatada essa hipótese, a exoneração já efetuada será convertida em destituição de cargo em comissão.

Ou seja, sair antes não apaga o que veio depois. Se a apuração conclui pela infração grave, a exoneração registrada é convertida em penalidade.

Por que isso importa mesmo depois de deixar o cargo

  • A destituição fica anotada na ficha funcional e é consultada na investigação social de concursos futuros, inclusive em carreiras policiais.
  • Conforme o fundamento aplicado, a lei prevê prazo de impedimento para nova investidura em cargo público federal.
  • A apuração pode concluir por dano ao erário, e essa cobrança corre em separado.
  • O mesmo fato pode gerar ação criminal e ação de improbidade, que correm de forma independente do processo disciplinar.

O rito é o mesmo do PAD comum

A apuração segue o procedimento dos arts. 143 e seguintes da Lei 8.112/1990: comissão designada, instrução com produção de provas, indiciação, defesa escrita, relatório e julgamento. O acusado tem direito de acompanhar o processo, de arrolar e reinquirir testemunhas, de ser assistido por advogado e de ter vista dos autos.

A diferença está no catálogo de penalidades aplicáveis e na autoridade competente para julgar, não na garantia de defesa. Quem já é servidor efetivo e ocupa cargo em comissão responde pelas penalidades do cargo efetivo (advertência, suspensão ou demissão); a destituição do art. 135 é reservada a quem ocupa apenas o cargo em comissão.

Onde a defesa costuma encontrar espaço

Ponto examinadoO que se verifica
Enquadramento da condutaSe o fato corresponde a infração punível com suspensão ou demissão, que é o pressuposto do art. 135
Composição da comissãoSe os integrantes atendem aos requisitos legais e não têm impedimento
Conversão da exoneraçãoSe houve processo antes da conversão, e não conversão automática
Prova emprestadaSe a prova vinda de outro processo entrou com contraditório, tema tratado em página própria
Prazo de conclusãoSe houve excesso capaz de gerar nulidade, conforme a análise de excesso de prazo
Motivação do julgamentoSe a decisão enfrentou os argumentos da defesa ou apenas aderiu ao relatório

Exonerado no meio da apuração: o que fazer

O processo continua, e acompanhar é do interesse de quem foi exonerado, porque o resultado alcança a sua ficha. Abandonar a defesa por achar que o assunto acabou com a saída deixa sem resposta a conversão da exoneração em destituição. A defesa segue sendo apresentada, com pedido de vista integral dos autos e de intimação de todos os atos no endereço atualizado. A atuação do advogado em cada fase está em advogado para PAD.

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PAD de comissionado já exonerado: ainda cabe punição?

Cabe, dentro do prazo de prescrição. O parágrafo único do art. 135 da Lei 8.112/1990 não exige que a apuração tenha começado antes da exoneração: constatada infração sujeita a suspensão ou demissão, a exoneração feita nos termos do art. 35 é convertida em destituição de cargo em comissão. O fato descoberto depois da saída pode, portanto, ser apurado em PAD, com citação do ex-comissionado no endereço que constar dos registros ou, se estiver em lugar incerto e não sabido, por edital (art. 163).

O limite é temporal. A ação disciplinar relativa à destituição de cargo em comissão prescreve em cinco anos (art. 142, I), contados da data em que o fato se tornou conhecido (art. 142, § 1º); pela Súmula 635 do STJ, esse conhecimento é o da autoridade competente para abrir o procedimento, a interrupção se dá com o primeiro ato de instauração válido, e o prazo volta a correr por inteiro depois de 140 dias. Se a infração também for crime, aplicam-se os prazos da lei penal (art. 142, § 2º). A defesa do ex-comissionado começa por essa conta, detalhada na página sobre prescrição no PAD, e pelo enquadramento: sem infração punível com suspensão ou demissão, falta a base legal para a conversão. Nos casos do art. 132, IV, VIII, X e XI, a destituição implica ainda indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erário (art. 136).

Comissionado em estados e municípios

Cada ente tem estatuto próprio, e muitos reproduzem a lógica federal com nomes diferentes. Onde o estatuto local é omisso, discute-se a aplicação subsidiária dos princípios constitucionais do art. 5º, LV, que garantem contraditório e ampla defesa em processo administrativo, seja qual for o vínculo. A página sobre processo administrativo disciplinar descreve o rito em detalhe, e a atuação do escritório na defesa em PAD está na página de advocacia para servidor público.

Fontes consultadas: Lei 8.112/1990 (Planalto); Constituição Federal (Planalto); Súmula 635 do STJ.

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Dúvidas frequentes

Perguntas sobre PAD de comissionado

Comissionado pode responder a processo disciplinar?

Pode. A Lei 8.112/1990 prevê a destituição de cargo em comissão como penalidade, aplicada depois de processo com contraditório.

Se eu for exonerado antes, o processo acaba?

Não. O parágrafo único do art. 135 determina que a exoneração já efetuada seja convertida em destituição quando a infração apurada for daquelas puníveis com suspensão ou demissão.

A destituição impede novo cargo público?

Quando a destituição se funda no art. 117, IX ou XI, da Lei 8.112/1990, o ex-servidor fica impedido de nova investidura em cargo público federal por cinco anos (art. 137). O parágrafo único do mesmo artigo, que proibia o retorno sem prazo, foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI 2.975, que mandou aplicar também a essas hipóteses os cinco anos do caput até que lei nova trate do tema. A penalidade também fica registrada na ficha funcional.

Preciso de advogado no PAD de comissionado?

A defesa técnica não é obrigatória por lei, mas a destituição repercute em concursos futuros e em ações de improbidade, o que torna a assistência recomendável desde a instrução.

Sou efetivo e ocupo comissionado. Respondo como quê?

A destituição de cargo em comissão do art. 135 da Lei 8.112/1990 vale só para quem não ocupa cargo efetivo. O servidor efetivo que exerce cargo em comissão responde pelas penalidades do cargo efetivo, como advertência, suspensão ou demissão, e o processo precisa indicar o enquadramento com clareza desde a indiciação.

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