Pular para o conteúdo
Ricardo Feistler Advocacia Especializada

Início / Defesa criminal / Tribunal do Júri

Defesa criminal · Júri

Tribunal do Júri: como funciona e onde a defesa atua.

Homicídio, feminicídio, infanticídio, aborto e instigação ao suicídio, quando dolosos, são julgados por jurados, e não só por um juiz. O processo tem duas fases, e a defesa trabalha de forma diferente em cada uma.

Por Ricardo Feistler, mestre em Direito · Atualizado em 22 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

O que a Constituição garante

O júri é previsto no art. 5º, XXXVIII, da Constituição, que assegura a plenitude de defesa, o sigilo das votações, a soberania dos veredictos e a competência para os crimes dolosos contra a vida. A plenitude de defesa vai além da ampla defesa comum: no plenário, a defesa pode usar argumentos jurídicos e também sociais, morais e humanos.

Primeira fase: a pronúncia

O processo começa como qualquer outro, com denúncia, resposta à acusação, testemunhas e interrogatório. Ao final, o juiz decide entre quatro caminhos (Código de Processo Penal, arts. 413 a 419): pronunciar o réu e mandá-lo a júri, impronunciá-lo por falta de indícios, absolvê-lo sumariamente ou desclassificar o crime para outro que não seja da competência do júri.

Essa fase não é mera formalidade. Uma impronúncia ou uma desclassificação encerra o caminho do júri, e o que se produz de prova aqui é o material que os jurados vão examinar depois.

Segunda fase: o plenário

Sete jurados são sorteados entre os 25 convocados (CPP, art. 447), e acusação e defesa podem recusar alguns sem justificar. Depois da instrução em plenário, cada parte fala por uma hora e meia, com mais uma hora de réplica e tréplica (CPP, art. 477). Os jurados respondem aos quesitos em votação secreta.

O júri é realizado na comarca em que o crime ocorreu, salvo desaforamento. O escritório tem sede em Cascavel (veja o advogado criminalista em Cascavel) e atua perante o Tribunal do Júri em todo o Brasil. Para contratar a defesa, veja a página do advogado para Tribunal do Júri.

Recursos

A decisão dos jurados é soberana, mas não é intocável. Cabe apelação quando houver nulidade, erro na sentença do juiz presidente ou decisão manifestamente contrária à prova dos autos. Neste último caso, o tribunal não absolve nem condena: manda o réu a um novo júri.

Crimes julgados pelo Tribunal do Júri

CrimeObservação
Homicídio dolosoSimples, privilegiado ou qualificado, consumado ou tentado; a exceção é o homicídio, ou a sua tentativa, cometido por integrante de organização criminosa ultraviolenta, grupo paramilitar ou milícia privada, quando conexo aos crimes de domínio social estruturado, que vai à Vara Criminal Colegiada (Lei 15.358/2026, art. 2º, § 8º)
FeminicídioCrime autônomo desde 2024 (art. 121-A)
VicaricídioArt. 121-B, crime autônomo desde abril de 2026 (Lei 15.384/2026)
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou automutilaçãoArt. 122 do Código Penal
InfanticídioArt. 123
AbortoArts. 124 a 127
Crimes conexosEm regra, julgados pelo júri junto com o crime doloso contra a vida (CPP, art. 78, I). A exceção da Lei 15.358/2026 tira dos jurados o próprio homicídio cometido por integrante de organização criminosa ultraviolenta, grupo paramilitar ou milícia privada, que passa à Vara Criminal Colegiada

Está passando por isso agora? Conte o seu caso pelo WhatsApp

A briga de bar denunciada como homicídio qualificado

Um homem é denunciado por homicídio qualificado após uma briga num bar, que terminou com a morte de outro cliente. Na primeira fase, a defesa demonstra, com testemunhas e imagens, que ele reagiu a uma agressão com faca e pede a absolvição sumária por legítima defesa. O juiz entende que há dúvida e pronuncia o réu, mas afasta uma das qualificadoras. No plenário, a defesa apresenta a mesma tese aos jurados, que o absolvem. A atuação nas duas fases foi decisiva.

Tempo de pena e regime

O homicídio simples tem pena de 6 a 20 anos de reclusão; o qualificado, de 12 a 30 anos. O feminicídio (art. 121-A) e o vicaricídio (art. 121-B) têm pena de 20 a 40 anos. A mesma pena vale para o homicídio cometido por integrante de organização criminosa ultraviolenta, grupo paramilitar ou milícia privada (art. 121, § 2º-D, incluído pela Lei 15.358/2026), que, quando conexo aos crimes de domínio social estruturado, não vai ao júri. Qualificadoras, causas de aumento e de diminuição mudam muito a pena final. Por isso, afastar uma qualificadora na pronúncia ou no plenário pode ser tão importante quanto a absolvição.

Recurso contra a decisão dos jurados

A decisão manifestamente contrária à prova dos autos permite ao tribunal mandar o réu a novo júri, uma única vez por esse motivo. Nulidades no plenário, como leitura de documentos proibidos ou quesitação errada, também podem anular o julgamento. A defesa deve registrar em ata, durante a sessão, as irregularidades que aconteceram, para poder alegá-las depois.

Execução da pena após o júri

O STF decidiu que a soberania dos veredictos permite a execução imediata da pena imposta pelo júri, independentemente do total da pena. A discussão sobre esse tema é intensa, e o impacto para o réu é grande: a condenação no plenário pode levar à prisão logo após o julgamento. Isso reforça a importância da preparação da defesa para a sessão.

Passo a passo do processo no júri

  1. Inquérito policial e denúncia do Ministério Público.
  2. Resposta à acusação e audiência de instrução.
  3. Decisão do juiz: pronúncia, impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação.
  4. Recursos contra a pronúncia.
  5. Sessão plenária com os jurados.
  6. Sentença e eventuais recursos.

Policiais e militares no Tribunal do Júri

Homicídios dolosos cometidos por policiais militares contra civis são julgados pelo Tribunal do Júri, e não pela Justiça Militar estadual, conforme o art. 125, § 4º, da Constituição. Nesses casos, teses como legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal são centrais, e a análise da abordagem, das imagens e das perícias exige preparo técnico específico.

Em caso de prisão em flagrante, o plantão atende a qualquer hora pelo WhatsApp.

Falar com o escritório

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre o Tribunal do Júri

Quem é policial e responde por morte em serviço vai a júri?

Se o militar estadual é acusado de crime doloso contra a vida de civil, sim: a Constituição manda o caso ao Tribunal do Júri (art. 125, §4º). Veja também o artigo sobre crime militar e crime comum.

Posso responder ao processo em liberdade?

Em regra, sim. A prisão antes da condenação definitiva depende dos requisitos da prisão preventiva, que precisam ser demonstrados pelo juiz.

A defesa pode pedir a mudança da cidade do julgamento?

Pode, em situações específicas, como dúvida sobre a imparcialidade dos jurados. É o chamado desaforamento (CPP, arts. 427 e 428).

Quanto tempo demora um processo no Tribunal do Júri?

Depende da comarca e dos recursos. A fase de pronúncia e o plenário podem levar de meses a alguns anos.

O réu pode ser preso depois da condenação no júri?

O STF admite a execução imediata da pena imposta pelo júri, o que pode levar à prisão logo após o julgamento.

Quantos jurados decidem o caso?

Sete jurados, sorteados entre os 25 convocados para a sessão.

A defesa pode recusar jurados?

Sim. Acusação e defesa podem recusar até três jurados cada uma, sem justificar.

O que é desclassificação no Tribunal do Júri?

É quando o juiz, na fase da pronúncia, ou os jurados, no plenário, entendem que o crime não é doloso contra a vida, por exemplo porque não houve intenção de matar. O fato passa a ser outro crime, como lesão corporal seguida de morte ou homicídio culposo, que não é julgado pelos jurados: o juiz da pronúncia remete o processo ao juiz competente (CPP, art. 419), e, se a desclassificação vier dos jurados, o presidente do Tribunal do Júri profere a sentença (art. 492, § 1º). A pena prevista para o novo crime, em regra, é menor.

A família da vítima pode atuar no júri?

Sim. No caso de morte da vítima, o cônjuge, o ascendente, o descendente ou o irmão podem intervir como assistente do Ministério Público (CPP, arts. 268 e 31), por meio de advogado, e participar dos debates no plenário.

Mais sobre defesa criminal

Guia

Busca e apreensão

O que a polícia pode fazer, o que conferir no mandado e o que fazer depois.

Ler o guia →
Guia

Habeas corpus

Quando cabe, para que serve e em quanto tempo costuma ser analisado.

Ler o guia →
Cidade

Criminalista em Cascavel

Sede em Cascavel, plantão no flagrante e defesa em cada fase do caso criminal, com atuação em todo o Brasil.

Ver a página →
Cidade

Criminalista em Foz do Iguaçu

Escritório em Foz, crimes de fronteira, flagrante e defesa em cada fase, com atuação em todo o Brasil.

Ver a página →
Artigo

Audiência de custódia

Como funciona, prazo de 24 horas e o que acontece depois.

Ler o artigo →
Artigo

Policial penal

Concurso, processo disciplinar e defesa criminal do policial penal, em todo o Brasil.

Ler o artigo →
Artigo

Tráfico privilegiado

Os quatro requisitos, a redução de pena e por que ele não é crime hediondo.

Ler o artigo →
Artigo

Fraude em concurso

O art. 311-A do Código Penal, quem responde e o que acontece com o candidato.

Ler o artigo →
Artigo

Crimes contra a administração

Os principais tipos, quem responde por eles e como o processo criminal conversa com o PAD.

Ler o artigo →
Artigo

Direito ao silêncio

O que o art. 5º, LXIII, garante, onde ele se aplica e por que calar não pode pesar contra você.

Ler o artigo →
Artigo

Abuso de autoridade

Lei 13.869/2019: a finalidade específica exigida pelo art. 1º e a ressalva da divergência de interpretação.

Ler o artigo →
Artigo

Acusado na Lei Maria da Penha

Medida protetiva, descumprimento do art. 24-A, fiança e as mudanças de 2023 a 2026 que pesam sobre quem é acusado.

Ler o artigo →
Artigo

Crimes na internet

Invasão de dispositivo, fraude eletrônica, conta laranja, honra e imagens íntimas: as leis que se aplicam e o que fazer ao ser intimado.

Ler o artigo →
Artigo

Progressão de regime

As frações do art. 112 da LEP em 2026, o exame criminológico, o efeito da falta grave e as formas de remição.

Ler o artigo →
Artigo

Embriaguez ao volante

O crime do art. 306 do CTB, a recusa ao bafômetro, a fiança e as penas quando o acidente deixa vítima.

Ler o artigo →
Artigo

Intimado para depor na delegacia

Investigado, testemunha ou vítima: o que muda, o direito ao advogado no inquérito e o que acontece depois do depoimento.

Ler o artigo →
Artigo

Fiança criminal

Quando o delegado pode arbitrar, quando só o juiz decide, crimes inafiançáveis, valor, dispensa por pobreza e devolução.

Ler o artigo →
Artigo

Prisão preventiva

Requisitos do art. 312, flagrante convertido em preventiva, revisão a cada 90 dias, revogação e habeas corpus.

Ler o artigo →
Artigo

Acusado de estelionato

Pena do art. 171, fraude eletrônica, conta laranja, fim da representação pela Lei 15.397/2026, fiança, ANPP e primeiros passos.

Ler o artigo →
Artigo

Boletim de ocorrência contra mim

Quando o BO vira inquérito ou termo circunstanciado, direito de acesso, silêncio, o que evitar e quando o BO falso é crime.

Ler o artigo →
Artigo

Novas penas de furto e roubo

Tabela antes e depois da Lei 15.397/2026 para furto, roubo, estelionato e receptação, vigência e regra da lei mais benéfica.

Ler o artigo →
Artigo

Defesa criminal no Paraná

Defesa criminal em todo o Paraná: flagrante e custódia, inquérito, acordos, recursos, habeas corpus e Tribunal do Júri.

Ler o artigo →
Artigo

Revogar medida protetiva

Pedido do acusado para revogar ou modificar a medida protetiva: o que provar, o contraditório, filhos, casa e bens, e o risco do art. 24-A.

Ler o artigo →
Artigo

Advogado para o júri

Defesa do acusado de homicídio ou feminicídio da prisão ao plenário: liberdade, instrução, pronúncia, sustentação perante os jurados e recursos.

Ler o artigo →
Cidade

Maria da Penha em Cascavel

Defesa do acusado em violência doméstica em Cascavel: flagrante, custódia, medida protetiva, ação penal e recursos.

Ver a página →
Cidade

Tráfico de drogas em Cascavel

Defesa de quem foi preso ou é investigado por tráfico em Cascavel: flagrante, custódia, liberdade, tráfico privilegiado e recursos.

Ver a página →
Artigo

Acordo de não persecução penal

Quem pode fazer o acordo de não persecução penal, o que se assume ao assinar, o que acontece se as condições não forem cumpridas e o que fazer quando o Ministério Público não oferece a proposta.

Ler o artigo →
Artigo

Crime ambiental

Defesa de produtor rural, empresário e pessoa jurídica no crime ambiental e no auto de infração: quem responde, penas, acordos, prazo de defesa, embargo e multa.

Ler o artigo →
Artigo

Crime de perseguição

O que a acusação precisa provar no art. 147-A, pena do stalking e aumentos, representação, transação, suspensão e acordo, medida protetiva e a defesa de quem foi intimado.

Ler o artigo →
Artigo

Falsa acusação

Como reunir prova quando a pessoa afirma ter sido acusada falsamente, o que evitar, a diferença entre denunciação caluniosa, comunicação falsa e calúnia, e quando cabe agir contra quem acusou.

Ler o artigo →
Artigo

Habeas corpus negado

O que fazer quando o habeas corpus é negado pelo juiz, pelo TJ, pelo TRF ou pelo STJ: liminar ou mérito, agravo, recurso ordinário em cinco dias, Súmula 691 e novo pedido com fato novo.

Ler o artigo →
Artigo

Homicídio culposo no trânsito

O crime do art. 302 do CTB: pena, aumento, flagrante e fiança, acordo de não persecução penal, perdão judicial, suspensão da CNH e linhas de defesa do motorista.

Ler o artigo →
Artigo

Importunação sexual

Pena da importunação sexual e do assédio sexual, flagrante, fiança, medida protetiva com monitoração, acordo de não persecução penal, efeitos no emprego e no cargo e a defesa de quem foi acusado desde o inquérito.

Ler o artigo →
Artigo

Injúria racial

Pena da injúria racial depois da Lei 14.532/2023, fiança, prescrição, acordo de não persecução penal, efeitos no cargo público e a defesa de quem foi acusado desde o inquérito.

Ler o artigo →
Artigo

Lavagem de dinheiro

O que a lei considera lavagem, a pena, o crime antecedente, o bloqueio de bens da pessoa e da empresa e como a defesa pede a liberação.

Ler o artigo →
Artigo

Liberdade provisória

Liberdade provisória depois da prisão em flagrante: o que significa, com ou sem fiança e cautelares, o que a pessoa não pode fazer, viagem, trabalho, quando volta à prisão e o que fazer se for negada.

Ler o artigo →
Artigo

Livramento condicional

Quanto da pena é preciso cumprir, a falta grave dos últimos 12 meses, os crimes em que a lei veda o benefício, as condições e o risco de revogação.

Ler o artigo →
Artigo

Mandado de prisão em aberto

O que significa ter mandado de prisão em aberto, como descobrir de qual processo ele vem e o que a defesa pode pedir antes do cumprimento.

Ler o artigo →
Artigo

Fiança na Lei Maria da Penha

Fiança no flagrante por violência doméstica, crime a crime: quando o delegado pode arbitrar, quando só o juiz decide, valores de 2026 e quando a lei veda a soltura.

Ler o artigo →
Artigo

Porte ilegal de arma

Pena do porte e da posse ilegal de arma, diferença entre uso permitido, restrito e proibido, fiança, audiência de custódia, acordo de não persecução penal e o que a defesa examina.

Ler o artigo →
Artigo

Prisão domiciliar

Quem tem direito à prisão domiciliar antes e depois da condenação: mãe e pai de criança, gestante, doente grave, idoso, regime aberto e falta de vaga, com as provas e o pedido ao juiz.

Ler o artigo →
Artigo

Reabilitação criminal

Reabilitação criminal: prazo de dois anos depois da pena, requisitos do art. 94 do Código Penal, documentos, como pedir, o que ela muda na ficha e o que não muda em concurso, reincidência e antecedentes.

Ler o artigo →
Artigo

Revisão criminal

Quando a condenação definitiva pode ser revista, o prazo para pedir, quem pode pedir, o que o tribunal pode decidir e o que reunir antes de propor a ação.

Ler o artigo →
Artigo

Saída temporária

O que mudou com a Lei 14.843/2024, quem ainda pode sair para estudar, a situação de quem foi condenado por crime anterior à lei e as causas de revogação.

Ler o artigo →
Artigo

Sonegação fiscal

Quando o débito tributário da empresa vira crime, qual é a pena, o peso do processo administrativo e o efeito penal do pagamento e do parcelamento.

Ler o artigo →
Artigo

Tornozeleira eletrônica

Quando a monitoração é imposta no processo, na execução da pena e na Lei Maria da Penha, o que conta como violação, se tirar o aparelho é crime e como pedir a retirada.

Ler o artigo →
Artigo

Tráfico de drogas: pena e defesa

Pena do tráfico de drogas, cálculo feito pelo juiz, uso ou tráfico, aumentos do art. 40, associação para o tráfico, regime, progressão e a defesa de quem foi preso, em todo o Brasil.

Ler o artigo →

Ver a página de defesa criminal →

Conte o que aconteceu. O primeiro passo é saber o prazo.

Envie pelo WhatsApp o documento que você recebeu (resultado, portaria ou intimação) e receba orientação sobre os próximos passos.

Falar no WhatsApp