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Defesa criminal · Busca e apreensão

Busca e apreensão: o que conferir e o que fazer depois.

A casa é inviolável pela Constituição, mas a Justiça pode autorizar a entrada da polícia. Saber o que a lei exige ajuda a identificar abusos e a preservar a defesa desde o primeiro momento.

Por Ricardo Feistler, mestre em Direito · Atualizado em 19 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Quando a polícia pode entrar

Pela Constituição (art. 5º, XI), ninguém entra numa casa sem o consentimento do morador, a não ser em flagrante delito, desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, por ordem judicial. A busca com mandado segue os arts. 240 a 250 do Código de Processo Penal.

Sem mandado, a entrada forçada só é válida se houver fundadas razões, justificadas depois, de que um crime estava acontecendo lá dentro (STF, Tema 280). Uma denúncia anônima sozinha, em regra, não basta.

O que conferir no mandado

O mandado precisa indicar a casa com precisão, o nome do proprietário ou morador quando possível, o motivo e o que se procura. Peça para ver o documento e, se possível, fotografe. Uma busca feita fora dos limites do mandado pode ser questionada depois.

Durante a diligência

Acompanhe a busca, sem resistir. Você não é obrigado a dar explicações nem a responder perguntas sobre os fatos. Peça o auto de apreensão com a lista de tudo o que foi levado, incluindo celulares e computadores, e confira antes de assinar. Se algo não confere, não assine ou registre a discordância.

Depois da busca

O advogado pede acesso ao procedimento que originou o mandado, verifica se a decisão foi fundamentada e se a busca respeitou os limites. Também pode pedir a devolução de bens que não interessam à investigação, como documentos pessoais e aparelhos de trabalho.

O que conferir no mandado de busca e apreensão

ItemO que verificar
EndereçoSe corresponde exatamente ao imóvel
Motivo e objetosO que se busca e por quê
AutoridadeSe foi expedido por juiz
HorárioCumprimento durante o dia
PessoasSe autoriza busca pessoal e em quem

Está passando por isso agora? Conte o seu caso pelo WhatsApp

Exemplo prático

A polícia cumpre um mandado de busca num apartamento, mas o mandado indica o apartamento vizinho, de mesmo número em outro bloco. Os policiais entram mesmo assim e apreendem objetos. A defesa aponta que a busca foi feita em imóvel não autorizado pela decisão judicial. As provas colhidas nessa diligência podem ser consideradas ilícitas e excluídas do processo, com os reflexos nas provas que delas derivarem.

Celulares e computadores apreendidos

O acesso ao conteúdo de celulares e computadores apreendidos precisa de autorização judicial específica ou estar coberto pela decisão que autorizou a busca. O acesso feito por policiais no momento da abordagem, sem autorização, é uma das causas mais frequentes de nulidade discutidas nos tribunais superiores. A defesa deve verificar como e quando os dados foram extraídos.

Busca em escritório de advocacia

O escritório de advocacia tem proteção especial pelo Estatuto da Advocacia. A busca só pode ser feita com decisão judicial fundamentada, com a presença de representante da OAB, e não pode alcançar documentos de clientes que não sejam investigados. Profissionais com dever de sigilo, como médicos, também têm proteção sobre os dados dos seus pacientes.

Depois da busca: prazo para agir

Logo depois da diligência, o advogado pede acesso aos autos, verifica a decisão que autorizou a busca e analisa se houve excessos. Também pode pedir a restituição de bens que não interessam à investigação e acompanhar a perícia dos equipamentos. Quanto antes a defesa entra no caso, maior a chance de preservar provas e identificar nulidades.

Passo a passo no dia da busca

  1. Mantenha a calma e não resista à diligência.
  2. Peça para ver o mandado e fotografe-o, se possível.
  3. Ligue para o advogado e informe o endereço.
  4. Acompanhe a busca em cada cômodo.
  5. Confira o auto de apreensão, item por item, antes de assinar, e peça uma cópia.
  6. Não preste depoimento sem o advogado.

Busca e apreensão contra servidores públicos

Em investigações sobre crimes contra a administração pública, a busca pode alcançar a residência e o local de trabalho do servidor. O material apreendido pode ser compartilhado com o processo disciplinar, desde que haja autorização judicial. O servidor deve cuidar das duas frentes ao mesmo tempo, porque o que disser num procedimento pode ser usado no outro.

Restituição de bens apreendidos

Objetos que não interessam ao processo devem ser devolvidos. O pedido de restituição é feito à autoridade policial ou ao juiz, com a prova da propriedade. Veículos, celulares e computadores de trabalho costumam ser os bens mais urgentes, e a demora injustificada na devolução pode ser questionada.

Em caso de prisão em flagrante, o plantão atende a qualquer hora pelo WhatsApp.

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Dúvidas frequentes

Perguntas sobre busca e apreensão

A polícia pode entrar à noite?

Com mandado judicial, a busca deve ser cumprida durante o dia. À noite, só em flagrante delito, desastre, para prestar socorro ou com o consentimento do morador (Constituição, art. 5º, XI).

Levaram meu celular. Consigo de volta?

É possível pedir a restituição quando o aparelho não interessa mais à investigação. O pedido é feito ao juiz, pelo advogado.

A busca foi ilegal. O que acontece com as provas?

Provas obtidas por meio ilícito são inadmissíveis (Constituição, art. 5º, LVI), e as que derivam delas também podem ser anuladas. Cada caso depende de como a busca foi feita.

A polícia pode entrar em casa sem mandado?

Só em flagrante, desastre, para prestar socorro ou com consentimento do morador. Sem mandado, a entrada forçada exige fundadas razões de flagrante (STF, Tema 280).

A polícia pode ver meu celular sem autorização?

O acesso ao conteúdo do celular exige, em regra, autorização judicial. Acesso sem autorização pode anular a prova.

Posso acompanhar a busca na minha casa?

Sim, e é recomendável. Acompanhe sem resistir e confira o auto de apreensão antes de assinar.

A busca e apreensão significa que serei preso?

Não necessariamente. A busca procura provas; a prisão depende de outra decisão ou de flagrante.

Quanto tempo a polícia pode ficar com meu celular?

O tempo necessário para a perícia. A demora excessiva, sem justificativa, permite pedir a restituição ao juiz.

Busca e apreensão pode ser feita no local de trabalho?

Sim, se o mandado autorizar. Em repartições públicas, a busca segue as mesmas regras de autorização judicial.

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