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Prisão disciplinar de PM e bombeiro: a Lei 13.967 e a decisão do STF

Pode existir, dependendo do estado. A Lei 13.967/2019, que extinguia a prisão disciplinar de policiais e bombeiros militares, foi declarada inconstitucional pelo STF em 2022. Com isso, vale o que diz o regulamento disciplinar de cada corporação.

Por Ricardo Feistler, mestre em Direito · Atualizado em 19 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

A Lei 13.967/2019

A lei alterou a legislação federal para extinguir a pena de prisão disciplinar nas polícias militares e nos corpos de bombeiros militares dos estados e do Distrito Federal. A lei deu aos estados e ao Distrito Federal doze meses para regulamentar e implementar a mudança (art. 3º).

A inconstitucionalidade (ADI 6595)

Em sessão virtual concluída em 20 de maio de 2022, o Plenário do STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade formal e material da lei. No aspecto formal, a lei nasceu de projeto de parlamentar, mas o regime jurídico dos militares estaduais é de iniciativa do chefe do Executivo de cada estado. No aspecto material, o relator, ministro Ricardo Lewandowski, destacou que os militares estaduais se submetem a regime fundado na hierarquia e na disciplina e que a própria Constituição autoriza a prisão nos casos de transgressão militar definidos em lei (art. 5º, LXI).

O que vale hoje na sua corporação

Voltaram a valer a lei e o regulamento disciplinar de cada estado. Alguns estados já tinham revisto os regulamentos e retirado a prisão; outros mantêm a prisão ou a detenção disciplinar entre as punições. A resposta depende da corporação. A Lei 14.751/2023, lei orgânica nacional das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares, confirmou esse quadro: o regime disciplinar é regulado em código de ética, por lei de cada ente, com devido processo legal, ampla defesa e contraditório (art. 18, XXXIII), e a garantia de só ser preso por ordem judicial ou em flagrante ressalva as prisões disciplinares militares (art. 18, parágrafo único).

Como se defender

Qualquer punição disciplinar exige que o militar saiba do que é acusado, tenha prazo para se justificar e receba decisão fundamentada. O habeas corpus contra punição disciplinar é limitado, mas a Primeira Turma do STF o admite para examinar os pressupostos de legalidade da punição, como a hierarquia, o poder disciplinar e a previsão da pena (HC 70.648). O artigo sobre transgressão disciplinar explica a defesa.

Linha do tempo

DataFato
Dezembro de 2019Publicada a Lei 13.967/2019, que extinguiu a prisão disciplinar nas PMs e corpos de bombeiros
2020Ajuizada a ADI 6595 pelo governador do Rio de Janeiro
Maio de 2022STF declara a lei inconstitucional, por unanimidade
HojeVale o regulamento disciplinar de cada corporação

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Prisão disciplinar e detenção disciplinar: a diferença

Nos regulamentos que ainda preveem as duas punições, a detenção disciplinar costuma restringir o militar ao quartel ou a determinado local, enquanto a prisão disciplinar implica recolhimento em local próprio. As duas são punições administrativas, e não penas criminais, e não geram antecedentes criminais. Ainda assim, pesam no comportamento e na carreira.

Limites da prisão disciplinar

Mesmo quando prevista, a prisão disciplinar tem limites: prazo máximo definido no regulamento, local adequado, decisão da autoridade competente, motivação e respeito ao direito de defesa antes da aplicação, salvo situações excepcionais previstas no próprio regulamento. A punição aplicada por autoridade sem competência, sem previsão no regulamento ou acima do prazo máximo é ilegal.

Habeas corpus contra prisão disciplinar

A regra constitucional que proíbe o habeas corpus contra punição disciplinar militar (art. 142, §2º) é interpretada pelo STF de forma restrita: o pedido é admitido para examinar a legalidade da punição, isto é, a competência de quem puniu, a previsão da pena, o cumprimento do procedimento e os limites do regulamento. O que não se discute no habeas corpus é a conveniência da punição. Veja o guia sobre habeas corpus.

O caso da PMPR e de outros estados

Cada estado tem o seu regulamento disciplinar e pode ter alterado as punições por lei própria, de iniciativa do governador. Por isso, a pergunta "a prisão disciplinar ainda existe?" precisa ser respondida com o regulamento da sua corporação em mãos. Se houver dúvida, peça ao setor de pessoal a norma vigente aplicada ao seu caso.

A prisão disciplinar por uma escala extra não avisada

Um soldado é punido com prisão disciplinar por faltar a uma escala extra. Ele comprova que a convocação para a escala foi feita por mensagem enviada no mesmo dia, depois de ele já estar de folga fora da cidade, e que avisou a unidade assim que viu a mensagem. A punição sem análise dessa justificativa, e aplicada por autoridade sem competência pelo regulamento, pode ser anulada, inclusive por habeas corpus, se a restrição de liberdade estiver em curso.

Casos assim mostram a importância de guardar mensagens, escalas e registros de comunicação com a unidade, principalmente em convocações fora do horário normal.

Documentos para a defesa

Nota de punição, regulamento vigente, escalas, mensagens de convocação, justificativa apresentada, ficha disciplinar e comportamento atual. Com esses documentos, é possível verificar se a punição tinha previsão, se a autoridade era competente e se o procedimento foi respeitado.

Para os militares das Forças Armadas, a prisão disciplinar continua prevista nos regulamentos de cada força, como o Regulamento Disciplinar do Exército, e as mesmas garantias de defesa e de legalidade se aplicam.

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Dúvidas frequentes

Perguntas sobre prisão disciplinar de PM

A prisão disciplinar vale nas Forças Armadas?

Sim. A Lei 13.967/2019 tratava só dos militares estaduais. Nas Forças Armadas, o regulamento de cada força prevê a prisão disciplinar.

Posso ser preso disciplinarmente sem ser ouvido?

Como regra, não. A punição exige que o militar seja ouvido e possa se justificar antes da decisão, mas alguns regulamentos admitem o recolhimento imediato em situações excepcionais e por prazo curto, como o RDE, por até 72 horas (art. 35, § 3º), e o RDPM paulista, por até cinco dias (art. 26).

Prisão disciplinar gera antecedente criminal?

Não. É uma punição administrativa, e não uma pena criminal. Ela pesa no comportamento e na carreira, mas não aparece em certidões criminais.

Qual o prazo máximo da prisão disciplinar?

Depende do regulamento de cada corporação. Punição acima do prazo máximo previsto é ilegal.

A Lei 13.967/2019 ainda vale?

Não. O STF a declarou inconstitucional em 2022, na ADI 6595.

Posso ser preso disciplinarmente por uma postagem?

Depende do regulamento e do conteúdo. A punição exige previsão, procedimento e decisão fundamentada.

O habeas corpus contra prisão disciplinar é rápido?

O pedido de liminar costuma ser analisado com prioridade, justamente porque envolve restrição de liberdade.

Bombeiro militar também pode ter prisão disciplinar?

Depende do regulamento do corpo de bombeiros do seu estado, que segue a mesma lógica das polícias militares.

Quem pode aplicar prisão disciplinar?

Só a autoridade com competência prevista no regulamento, dentro dos limites de pena que cada autoridade pode aplicar.

Prisão disciplinar pode ser cumprida em casa?

Depende do regulamento. A forma de cumprimento precisa estar prevista e ser respeitada pela autoridade.

Cabe habeas corpus contra prisão disciplinar?

A Constituição veda o habeas corpus em relação a punições disciplinares militares (art. 142, § 2º), mas o STF admite o pedido para examinar a legalidade da punição, como a competência de quem puniu e a previsão da pena. A conveniência da punição não se discute nessa via.

A prisão disciplinar aparece na ficha do militar?

Sim. A punição é registrada nos assentamentos e pode afetar o comportamento, promoções e cursos.

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